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Cela individual

por Luzia Pinheiro, em 30.08.09

 

 

Era uma vez um homem a quem tudo incomodava. Um homem farto do mundo.

Então foi a uma loja e comprou uma cela individual.

Colocou-a no meio de uma rua movimentada e fechou-se lá dentro com um livro.

Ora essa cela era fechada, tendo apenas uma janela por onde ele podia ver o mundo sem ser incomodado. O homem seguro da sua decisão atirou a chave pela janela e ajeitou-se na cela. Depois de olhar à sua volta e respirar fundo duas vezes decidiu que o melhor a fazer era estabelecer horários, pois constatara que dispunha de muito tempo livre e isso podia acabar por enlouquecer-lo.

Assim estabeleceu que se deitaria todos os dias as 20h e se levantaria as 06h. Lava-se, rezava, comia e então aproveitaria os primeiros raios solares para ler. As 12h processava-se o almoço. As 13h uma sesta para às 14h se colocar à janela a ver passar as pessoas na rua, a ver o mundo girar. As 16h lia mais um pouco e às 18h jantava, aproveitava um pouco o silêncio da cela e rezava, podia olhar mais um pouco pela janela e deitava-se às 20h.

 

E assim foram passando os seus dias... uma semana, duas, três...

Na quarta semana o prisioneiro da sua própria cela começava a aborrecer-se, mas não podia sair.. da sua janela começou todos os dias a olhar para a chave da sua cela, no chão da movimentada rua, ironicamente a escassos metros da sua cela. Mas não lhe conseguia chegar sozinho... Então passara a dedicar as suas horas à janela a tentar chamar as pessoas que, nas suas rotinas diárias, passavam em frente à cela.

Chamava, chamava e ninguém o ouvia. Ele tinha-se isolado tanto tempo e tanto que era agora parte da rua.

Um dia teve sorte e uma senhora idosa viu a chave no chao e apanhou-a. Ele gritou com todas as suas forças para alertar a senhora a ver se lhe abria a cela. Mas a senhora assustou-se com um homem que a chamava de uma cela e fugiu.

No dia seguinte uma outra pessoa passava em frente à cela e caiu, batendo com a cabeça e ficando inanimado no meio da rua. O prisioneiro impotente tentava chamar as pessoas para que socorresem mas nada. Foi então que fez o que nunca tinha feito: deitou a mão a maçaneta da porta e tentou abrir-la.

 

Surpresa! A porta deslizou e ele saiu da cela, podendo socorrer a pessoa.

 

 

Conclusão... a porta nunca estivera trancada... apenas fechada.

 

 

 

 

 

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publicado às 20:04



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